A ARTE DE PLANEJAR, PRATICAR E REINVENTAR-SE

Por Mádia Santos Borges-Diretora de criação na BGarquitetura

Nós arquitetos e Designers estamos nos reinventando.

Estamos mais rápidos, mais inteligentes, mais fortes, mais preparados  emocionalmente e artisticamente e mais talentosos do que nunca. O mundo está exigindo e a gente aceita o desafio de nos adaptarmos e reaprendermos novos caminhos.

Na real, dê uma olhada em qualquer profissão no mundo hoje.

Da área das Humanas às Exatas, todos voam para acompanhar os acontecimentos do mundo. O que antes era impossível está sendo alcançado todos os dias.

De onde vem essa ascensão contínua e desenfreada da Arquitetura e dos padrões de excelência?

Não me parece ter havido um surto de pessoas extraordinariamente talentosas nascendo.

Houve sim, ao meu ver,  uma exigência de voarmos rumo às novas técnicas e tendências. As inovações tecnológicas e a globalização foram e continuam sendo os estopins dos novos movimentos verificados em vários pontos do mundo: Sustentabilidade,  Disrupção,  Coolab,  Coolearning,  Cooliving, Inteligência Artificial, Redes Digitais, Casa Inteligente, …

Mas quem de fato está vencendo com mérito?

O que estas pessoas altamente qualificadas estão fazendo diferentemente do resto dos mortais?

Os ‘crème de la crème’  ou os ‘the best of’, como são oficialmente conhecidos – todos têm algo em comum.

Ao meu ver, para tornar-se um especialista em algo e fazer a diferença, é preciso investir nosso tempo de maneira inteligente.

Não é apenas uma questão de computar horas numa planilha e buscar uma meta numérica. O que distingue um violinista virtuoso ou um atleta olímpico do resto de nós é como eles gastam/investem seu tempo.

No livro de Malcolm Gladwell de 2008, Outliers: A História do Sucesso , ele aponta 10.000 horas como o “número mágico” que uma pessoa precisa para se dedicar ao seu ofício e se tornar um especialista. Ele cita pessoas como Bill Gates e os Beatles, que famosamente investiram grandes quantidades de tempo para afiar seu conjunto de habilidades.

Sua teoria é baseada na pesquisa do Dr. K. Anders Ericsson, professor de psicologia que foi pioneiro no estudo e na ciência do desempenho máximo.

Ok, mas se qualidade no emprego do tempo é o que importa então, quanto tempo a gente demora para se tornar um mestre em nossa profissão?

Por que a prática regular não é suficiente

Para a maioria das áreas em nossas vidas, um nível básico de habilidade é suficiente. Mas se quisermos realmente nos sobressair, temos que superar essa complacência e sair da nossa zona de conforto. As pessoas que melhoram continuamente nunca caem no piloto automático. Em vez disso, eles continuam desmontando as peças de suas habilidades e juntando-as novamente para criar algo melhor. Em vez de andar na água, eles levam a prática ao limite de suas habilidades, e então pisam (ou pulam) além dela.

Normalmente, a prática repetida nos leva a um nível médio de sucesso. Depois de um pico inicial, o progresso se estabiliza por um tempo. E depois… cai.

Acredito que quando a gente atinge um nível médio de competência, nossa capacidade entra no piloto automático e começa a ser um reflexo.

É por isso que repetir uma habilidade regularmente ao longo de muitos anos – cozinhar, dirigir, exercitar – não leva à excelência.

Você está mantendo uma habilidade, não construindo nela.

E será que suas características genéticas são ou foram determinantes?

Recentemente estava conversando com uma colega que tentava, a todo custo me convencer de que foi a carga genética da mãe dela, artista plástica, que a fez escolher a sua profissão e ser bem sucedida.

Fiquei pensando seriamente naquela possibilidade e, ao mesmo tempo, pensando em muitos outros profissionais que conheço que não tiveram pais arquitetos, artistas e são bem sucedidos.

Mesmo havendo evidências significativas para mostrar que a memória de trabalho é hereditária e que a capacidade cognitiva como criança desempenha um papel na conquista de adultos, eu não daria todos os créditos para essa visão simplista e determinista.

Voltando ao exemplo, à amiga e sua hereditariedade de artista, vejo que o ambiente onde ela cresceu , cheio de idéias e criatividade compartilhadas , possam ter influenciado positivamente, fazendo-a desde criança pensar “fora da caixa”.  Mas conhecendo um pouco mais a sua trajetória, sei muito bem que ela alcançou a maestria não devido ao talento herdado, mas porque praticou muito e muito para chegar onde está.

Para concluir este tópico, a expertise só pode ser construída se trabalharmos duro – e inteligentemente – por alguns bons anos.

O inteligente emprego das horas

Meu pai tinha uma frase que recitava com freqüência: ‘Quem trabalha muito não tem tempo de ser feliz.’

Também escutei muito dele quando adolescente que ‘o trabalho por si só emburece o ser humano’.

Minha faculdade  só foi vencida com muito esforço e muitas horas dedicadas aos trabalhos. Verdade seja dita, o que diferenciava uns colegas dos outros era a sacada que tiveram lá na geração do projeto. As idéias fracas não se sustentavam mesmo com muitas horas empregadas.

Já ali naquele ambiente universitário já se via que eram as explosões de esforços consistentes e intensos que, por seu profundo comprometimento com o aprendizado e o auto-aperfeiçoamento, faziam a diferença.Soa um pouco mais administrável do que a regra das 10.000 horas, não é?

Realizar tarefas que você já conhece, com a expertise que tem, é satisfatório – mas isso não aumentará seu nível de habilidade. Então, a prática deliberada e a repetição contínua não alcançam a excelência.

Ao meu ver, é a Prática com paixão e desafios é que torna perfeito o emprego das horas. Excelência se atinge com:

Criação estruturada.

Criação atenta.

Criação Estratégica.

Criação passional

Desta forma você não está apenas praticando sem pensar. Você está intensamente envolvido. Você está à beira do que você é e não é capaz de fazer. E, o que mais estarrece: A criação de excelência não irá te fazer se sentir confortável.

Como um elástico, você precisa constantemente se esticar até seus limites externos. É preciso haver pressão constante e ímpeto por mudança.

E se você não está claramente avançando com uma técnica, você volta para a prancheta.

Em outras palavras, se você conseguiu algo ontem, você deve fazer mais do que consegui-lo novamente hoje.

Não há paralisação.

É assim que o crescimento acontece.

Defina pequenos objetivos

Em muitos momentos de nossa trajetória profissional tivemos ao nosso lado excelentes estagiários e arquitetos. Eram habilidosos, aprendiam rápido, tinham potencial para virarem rapidamente gerentes de projetos. E muitos conseguiram com mérito! Outros, entretanto, ficaram na promessa. Quando tentávamos elevá-los  a coordenadores e dávamos mais independência de decisões, não conseguiam decidir, ou se voltavam contra o superior ou muitas vezes desistiam do posto. E digo que é frustrante para ambos os lados porque a gente aposta na pessoa e ela, por insegurança ou por falta de objetivos claros em sua vida, não aposta nela mesma.

Para alcançar um patamar mais alto é preciso manter seus olhos firmemente no objetivo “Excelência” e mentalizar seu objetivo maior.  Isto para conseguir manter o ritmo e não cair na cilada da vitimização: “ não gosto do meu chefe”, “ não é justo ter que ficar aqui tendo que finalizar este projeto e meus amigos estarem se divertindo”, “ esse cliente não vale a pena apostar”.

É por isso que objetivos insossos como “melhorar” não serão convincentes o suficiente para impulsioná-lo além de suas habilidades atuais – sozinho, pelo menos.

Tampouco metas grandiosas serão a salvação. Elas vão é  intimidar  - e tirar você do caminho.

A alternativa? Passos, claramente definidos, na direção certa.

Pequenos objetivos são a base da prática diária. Eles devem levar em conta o seu conhecimento atual e, pouco a pouco, empurrar seus limites para mudanças significativas.

Isso significa desmembrar sua meta geral de longo prazo em uma série de pequenas metas diárias, semanais, mensais , semestrais.

Meta de longo prazo : torne-se um arquiteto experiente

Meta média : abrir meu próprio escritório/ser referência no mercado onde atuo

Pequenos passos para chegar lá : Identifique as principais áreas de aprendizado . Escreva-os. Faça uma lista de verificação. As metas estruturadas encorajarão a ação. Uma vez que você tenha um sistema claro, tudo o mais será encaixado.

 Seja consistente

Esforço prolongado e linear é muitas vezes desconfortável ou frustrante. E nada humano. Somos movidos por impulsos!

Mas prática deliberada também não leva a lugar nenhum: você precisa sacrificar o prazer de curto prazo para obter sucesso a longo prazo. Começou a ganhar o seu próprio dinheiro? Invista em cursos de aperfeiçoamento, procure um pós-graduação, gaste o seu dinheiro em conhecimento!

Não é sempre divertido, a gente gosta  de sair para se divertir com amigos, de andar bem vestido. Mas especialmente quando você tenta construir seu futuro, um objetivo maior, é preciso sacrifícios e foco.

Estar consciente das metas  é o que leva a uma melhoria significativa. E é importante tê-las registradas, especialmente quando você está muito cansado ou algo não deu muito certo. Nessas horas é preciso que algo maior justifique nossas ações.

Portanto, comprometa-se com suas horas e visualize seu objetivo maior a todo custo. Em breve, o caminho fará mais sentido, as ações se tornarão um hábito e não haverá mais dúvidas que atormentam e confundem. É aí que a mágica acontece.

Acompanhe e meça

Para progredir em qualquer área, você precisa identificar seus pontos fortes e fracos para identificar problemas e soluções.Seja metódico e acompanhe seu progresso todos os dias.

Também é crucial buscar feedback regular : de especialistas , de colegas , de clientes, bem como através da autoavaliação. Uma perspectiva honesta é essencial para obter uma visão realista do seu progresso.

Estabelecer, Registrar, Medir, Repetir.

Dica final

Na Arquitetura, assim como na vida, é preciso diariamente estar se reinventando. O resultado de mudanças nas circunstâncias da vida e das lições que aprendemos ao longo do caminho mostram que certas coisas que costumavam funcionar não funcionarão tão bem.

A opção está em nossas mãos:  Podemos resistir por algum tempo, mas eventualmente seremos forçados a se submeter ou ficar para trás.

Há muitas ocasiões em que é apropriado, até necessário, ceder.Temos a idéia de que nunca devemos desistir – nunca desistir. Mas isso é bobagem.

Com a experiência, a única dica que temos para dar  é: Crie propósitos sólidos, exercite o bom senso e reinvente-se se preciso for!

 

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One thought on “COMO SE TORNAR UM ESPECIALISTA EM ARQUITETURA E DESIGN e em muitas outras áreas onde há criatividade envolvida”

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